quinta-feira, 28 de abril de 2011

Zodíaco, de Robert Graysmith

"A história real da caçada ao serial killer mais misterioso dos Estados Unidos".

Robert Graysmith trabalhava como cartunista para o San Francisco Chronicle quando o jornal recebeu uma carta e um pedaço de criptograma do assassino Zodíaco. Como várias outras pessoas, Robert tornou-se obcecado com a investigação e tentou decodificar as pistas para trazer a identidade do sádico sexual à tona.

Neste livro, ele conta a história do assassino mais misterioso, sagaz e escorregadio. Junta vários relatórios policiais, depoimentos de testemunhas, interrogatórios de suspeitos, conversas com terceiros e pistas que cavou ele mesmo, numa narrativa fácil, de quem sabe o que faz.

O começo é um pouco penoso porque leva tempo para se acostumar à linguagem do texto. Não é uma história adaptada da verdade; não é um roteiro de thriller policial; são fatos concretos, o relato dos assassinatos e da zombaria do Zodíaco. Fatos passados a nós através de um jornalista, que merece palmas por não tentar enfeitar a narrativa com coisas desnecessárias, mas que não deixa as partes técnicas tomarem conta e transformarem esse livro numa monografia chata.

Graysmith segue a ordem cronológica dos ataques, e vai adicionando pistas conforme elas vão aparecendo, então é como se você realmente estivesse participando de tudo aquilo, como se vivesse na época em que as pessoas tinham medo de sair às ruas, de mandar suas crianças para a escola.

Zodíaco é um livro perturbador; deliciosamente perturbador. Ele choca, especialmente com os relatos dos parentes e amigos das vítimas, e dos poucos sobreviventes, fazendo você se dar conta de que tudo aconteceu a pessoas tão normais quanto você, sua família ou seus vizinhos; e fascina, porque a aura intocável que envolve esse criminoso e o jeito como espalha o terror por San Francisco e Bay Area, fazem com que você queira participar da investigação, queira desvendar as pistas e quebrar os códigos sozinho.

Para quem gosta de investigações criminais, serial killers e mistério, é um prato quente e transbordando. Para quem não tem estômago para tanto, é melhor ficar bem longe. Zodíaco é um livro para poucos.